Carlos e Luísa estavam reformando o apartamento. Ou melhor, tentando reformar.
A sala já estava sem móveis. As caixas empilhadas no canto. E a dúvida pairando sobre o tom do piso.
— Tá entre o carvalho claro e o marfim — Carlos disse, segurando duas amostras.
— Eu gosto do carvalho — Luísa respondeu.
— Sua opinião vale mais, mas minha mãe adora opinar sobre reforma.
— Então pergunta pra ela.
— Vai ser uma enxurrada de opiniões.
— Não precisa seguir. Só incluir.
Carlos abriu o WhatsApp e tirou uma foto das amostras no chão.
— Acha que envio foto?
— Envia.
— "Mãe, qual a senhora acha melhor?"
— Exato.
Carlos mandou a mensagem. Cinco segundos depois, a resposta veio.
— Já respondeu?
— Mandou áudio.
Ele apertou play. A voz de Dona Lúcia saiu animada:
— Filho, o carvalho claro é mais bonito, mas junta poeira. O marfim esconde mais. Mas a escolha é de vocês, né.
Carlos riu.
— Ela falou o que pensa sem mandar na decisão.
— Ela aprendeu.
— Mandou a opinião, mas devolveu a escolha.
— É assim que se faz.
Carlos mandou de volta:
*"Valeu, mãe. Vou de carvalho. Se sujar, a gente limpa."*
Ela respondeu com um joinha.
— Pronto — Carlos disse, guardando o celular. — Ela se sentiu incluída, eu ouvi a opinião, e a decisão foi nossa.
— Exatamente assim que funciona.
Carlos colocou a amostra de carvalho na mesa.
— Tomada.
— Falta o resto da reforma.
— O resto a gente decide junto também.
— E pergunta pra sua mãe?
— Só nas coisas que ela entende.
— Cozinha ela entende.
— Cozinha é com ela.
— Quarto?
— Quarto é com a gente.
— Combinado.
*Continua em: 294 — Adaptar a morar perto da família novamente*