Luísa tinha uma prima que morava no Canadá.
Quando a prima Carla veio passar o Natal no Brasil, Luísa percebeu como ela organizava tudo. Cada dia era planejado. Cada almoço, cada visita.
— Parece que você tá numa turnê — Luísa disse.
— É porque o tempo é curto. Se eu não planejar, passo o mês todo sem ver metade das pessoas.
— É tão difícil assim?
— Você mora perto da sua mãe. Não sabe como é.
Luísa pensou na própria mãe. Dona Margô morava a duzentos quilômetros. E ela já achava difícil.
— Como você faz?
Carla sentou na poltrona.
— Primeiro: aviso todo mundo com três meses de antecedência. Data exata, ida e volta. Quem quer me ver, se organiza.
— E não ofende quem não consegue?
— Não. Porque avisei antes. Cada um sabe quando tá disponível.
— E a programação?
— Divido em blocos. Família de um lado, amigos de outro. Intercalo com dias de descanso. Não adianta voltar mais cansada do que fui.
Luísa prestou atenção.
— E quando você não consegue ver todo mundo?
— Isso acontece. E tá tudo bem. O que importa é a qualidade, não a quantidade.
Na volta pra casa, Luísa pensou na própria mãe.
— Se um dia eu morar longe — ela disse pro Carlos no carro —, vou fazer igual a Carla.
— Planejar?
— Avisar antes. Não tentar abraçar o mundo. Ver quem realmente importa.
— Parece um plano bom.
— Parece. Mas espero nunca precisar.
Carlos segurou a mão dela.
— Eu também.
*Continua em: 291 — Criar rotina de videochamadas com a família*