Como lidar com a saudade da família quando se mora fora?

Carlos estava no escritório quando a notificação chegou.

Dona Lúcia tinha mandado uma foto no grupo da família. Era o almoço de domingo na casa dela. Arroz, feijão, frango assado, farofa, aquela batata corada que só ela sabia fazer.

Ele olhou a foto por um tempo.

— Tá bem? — Carlos perguntou, passando perto da mesa.

— Tô. É que minha mãe mandou foto do almoço.

— Saudade?

— Um pouco.

Carlos parou.

— Minha mãe mora no interior também. Eu ligo toda quarta-feira, sem falta. Não é muito, mas cria uma âncora.

— O senhor liga?

— Toda quarta, sete da noite. Não perco uma.

Carlos guardou aquilo.

Em casa, ele comentou com Luísa.

— O Carlos liga pra mãe toda quarta.

— E?

— E eu não tenho uma rotina assim. Ligo quando lembro. Às vezes passo dias sem ligar. Depois fico me sentindo mal.

— Então cria uma rotina.

— Parece que é obrigação.

— Obrigação não. Compromisso. É diferente.

Carlos abriu o calendário no celular.

— Domingo é o dia que minha mãe faz almoço. Ela sempre pergunta se a gente vai.

— E a gente quase nunca vai.

— Porque é longe.

— Mas a gente pode ligar. No horário do almoço.

Carlos criou um lembrete: "Domingo, 12h — ligar pra mãe".

No domingo seguinte, o celular dele tocou às 11h59. Ele atendeu antes do segundo toque.

— Mãe!

— Carlos! Ia ligar pra você.

— Liguei antes.

— Que milagre.

Ele riu.

— Queria ouvir a senhora. E saber do almoço.

Dona Lúcia começou a contar. Da batata corada, do frango, de como a Clarinha tinha ido ajudar.

Carlos ouviu tudo. Não era a mesma coisa que estar lá. Mas era alguma coisa. E alguma coisa já era melhor que nada.

*Continua em: 290 — Visitar família morando em outro país*