Luísa estava deitada no sofá com o celular na mão. A tela mostrava a conversa com a mãe.
A última mensagem era de domingo. Hoje era quarta.
— Você tá diferente essa semana — Carlos disse, sentando ao lado.
— To pensando na minha mãe.
— Ela tá bem?
— Tá. Mas faz três meses que a gente não se vê.
Carlos passou a mão no ombro dela.
— É longe.
— Não é tão longe. São duzentos quilômetros. Dá pra ir e voltar no mesmo dia.
— Então vai.
— É que eu deixo passar. O trabalho, a rotina. Aí quando vejo, já passou um mês. Depois dois.
— Marca no calendário.
— Parece tão simples falando assim.
— E não é?
Luísa pensou.
— Talvez seja. Mas eu tenho medo de marcar e não conseguir cumprir. Aí vou me sentir pior.
— Se marcar e não conseguir, remarca. O problema não é falhar. É não tentar.
Luísa abriu o calendário do celular.
— Sábado que vem.
— Tô livre — Carlos disse.
— Não precisa ir comigo. Eu vou sozinha. É uma visita de filha, não de casal.
— Como quiser.
No sábado, Luísa acordou cedo. Colocou uma mochila pequena com uma muda de roupa e o presente que comprou na semana — uma planta nova pra varanda da mãe.
A estrada era curta, mas o tempo parecia maior quando a gente deixava passar.
Dona Margô abriu a porta e parou.
— Filha! Não avisou!
— Surpresa.
Elas se abraçaram na porta. O abraço durou mais que o normal.
— Vou ficar até domingo à tarde.
— Trouxe roupa?
— Trouxe.
— Planta também, pelo visto.
Luísa riu. Passou o dia na cozinha com a mãe, lavando louça, conversando sobre nada e tudo. Não precisava de mais nada.
No fim da tarde, enquanto o sol baixava na varanda, Luísa teve um pensamento claro: não era a distância que doía. Era deixar o tempo passar sem fazer nada.
*Continua em: 289 — Lidar com saudade da família morando fora*