Luísa tinha o costume de pesquisar tudo antes de comprar. Inclusive férias em família.
Quando a tia Alzira sugeriu que todo mundo alugasse uma casa no litoral, Luísa abriu quatro abas no navegador antes de qualquer um terminar de falar.
— Calma — Carlos disse, olhando por cima do ombro dela. — Ainda é janeiro.
— Se a gente deixar pra depois, não acha nada.
— E você vai ligar pra perguntar o que cada um quer de novo?
— Já perguntei.
Luísa mostrou um bloco de notas no celular. Tinha anotado: tia Alzira queria varanda, tio Paulo queria cama de casal, prima Simone queria piscina, Beto queria churrasqueira, Clarinha queria wi-fi.
— Você perguntou pro Vinícius? — Carlos perguntou.
— Ele falou que só quer que tenha cerveja gelada.
— Então a geladeira grande é prioridade.
Luísa riu. Passou a tarde comparando casas. Região, número de quartos, distância da praia, avaliações.
— Essa aqui — ela disse, virando o notebook.
A casa era simples, mas tinha tudo. Cinco quartos, piscina, churrasqueira, varanda com rede, cozinha grande.
— Manda no grupo — Carlos disse.
— E se não aprovarem?
— Você fez a lição de casa. Se alguém criticar, pergunta qual alternativa trouxe.
Luísa mandou o link. Três curtidas em cinco minutos. Ninguém reclamou.
— Milagre — ela murmurou.
Duas semanas depois, a reserva estava confirmada. Luísa salvou o comprovante e o endereço no grupo.
— Pronto — ela disse, fechando o notebook. — Agora é só esperar.
— E torcer pra não ter briga — Carlos completou.
— Isso a gente não controla.
— Mas a casa você controlou. E escolheu bem.
Luísa sorriu. Ele tinha razão.
*Continua em: 287 — Lidar com adoção na família*