— A Beto falou que a gente precisa fazer um churrasco.
Carlos estava deitado no sofá, Toby aninhado nos pés dele.
— Então faz.
— Disse que é pra reunir geral. Tio Paulo, tia Alzira, primos, todo mundo.
— Chama geral.
— É duzentas pessoas, Luísa.
— Exagero.
— Cento e cinquenta.
Luísa sentou na poltrona com a xícara de chá.
— Você não precisa fazer tudo sozinho.
— Como assim?
— Reunião de família não é evento de uma pessoa. Cada um pode trazer uma coisa. Cada um pode ajudar em uma parte.
Carlos ficou calado um instante.
— Sempre foi minha mãe que organizou tudo.
— E como ela fazia?
— Ligava pra todo mundo, perguntava quem vinha, fazia lista de compra, passava o dia na cozinha.
— E no fim?
— Ficava exausta. Não aproveitava a festa.
— Então não faz igual.
Carlos pegou o celular e abriu uma planilha.
No sábado, ele mandou mensagem pro primo Vinícius, pro Beto, pra Clarinha. Dividiu as tarefas: um cuidava da carne, outro das bebidas, outro da sobremesa. Ele ficou com o espaço e a organização.
No dia do churrasco, Carlos chegou cedo pra abrir o salão alugado. O primo Vinícius chegou com a carne. O Beto trouxe as bebidas. A Clarinha veio com a sobremesa.
Dona Lúcia apareceu com uma travessa de salada e parou na porta.
— Cadê o resto? — ela perguntou.
— Cada um trouxe uma parte.
— E você? O que você fez?
— Organizei. E vou aproveitar a festa.
Dona Lúcia olhou em volta. O salão estava cheio. A música tocava. As crianças corriam. Ela sentou na cadeira sem ninguém pedir nada pra ela.
— Gostei — ela disse. — Pode repetir.
*Continua em: 286 — Alugar casa para férias com família extensa*