Como celebrar o aniversário dos sogros?

Luísa

Luísa estava no estúdio quando lembrou. O aniversário do Seu Antônio — o pai do Carlos — era na semana que vem.

— Droga — ela murmurou.

A Camila levantou a cabeça do monitor. — O que foi?

— Aniversário do sogro. Não preparei nada.

— Compra um presente.

— Não é tão simples. Eles são discretos. Não gostam de festa.

— Então pergunta pro Carlos.

— É, melhor.

Em casa, ela puxou o assunto durante o jantar.

— Carlos, o aniversário do seu pai é semana que vem.

— É.

— O que ele gosta?

Carlos pensou, o garfo no ar.

— Ele gosta de silêncio. E de ferramenta.

— Ferramenta?

— Ele é eletricista aposentado. Passa o dia mexendo em alguma coisa. Uma chave de fenda nova, um alicate bom, ele fica feliz.

— Só isso?

— E de almoço em família. Mas sem parabéns com bolo. Ele odeia constrangimento.

Luísa anotou mentalmente. No sábado, ela passou na loja de ferramentas e comprou um kit de chaves de fenda de boa qualidade. O vendedor recomendou, disse que era o melhor da marca.

Ela passou na casa dos sogros com o presente na sacola.

— Dona Lúcia, boa tarde!

— Luísa! Que surpresa!

— Vim trazer uma coisa pro Seu Antônio.

— Ele tá no quintal. Mexendo no portão.

Ela foi até lá. Seu Antônio estava de joelhos, um alicate na mão, suando debaixo do sol.

— Seu Antônio!

— Luísa! Oi, menina.

— Trouxe um presente adiantado. Pro seu aniversário.

Ele se ergueu, limpou a mão na calça e pegou a sacola. Abriu. Os olhos dele brilharam.

— Kit de chave de fenda? Esse é bom.

— O vendedor disse que é o melhor.

— É sim. Eu tava precisando. A minha já tá toda gasta.

— Feliz aniversário.

Ele segurou o presente com as duas mãos, como se fosse um troféu.

— Obrigado, Luísa. Senta, fica pra almoçar.

— Posso?

— Claro. A Lúcia vai adorar.

Na mesa do almoço, Seu Antônio mostrou o kit pra Dona Lúcia, que aprovou com um sorriso. Não teve bolo, não teve parabéns. Teve arroz, feijão, bisteca e a satisfação de quem deu o presente certo.

*Continua em: 283 — Festejar aniversário de irmão*