Como incluir a sogra nas festas de família?

Carlos

Carlos estava no mercado, na frente das prateleiras de vinho, quando a mensagem chegou.

*"Amor, minha mãe vai passar o Natal sozinha se a gente não chamar."*

Ele leu duas vezes. A Dona Margó era uma senhora tranquila, educada, que nunca se intrometia. Mas ele sabia que misturar sogra em festa de família era um terreno delicado.

— Ué, mas ela não vai pra casa da irmã? — ele respondeu.

*"A irmã viajou. Vai ficar sozinha."*

Carlos apoiou o carrinho. Pensou na Dona Lúcia, na Dona Margô, na ceia. Três mulheres na mesma cozinha.

— Pode ser bom — ele murmurou.

Em casa, ele encontrou a Luísa na sala.

— Sobre sua mãe no Natal — ele disse.

— Ela vai ficar sozinha.

— Eu sei. Chama ela.

— Você tem certeza?

— Claro. Sua mãe é legal. E a minha adora ela.

— Sua mãe adora? A Dona Lúcia?

— Ela sempre fala: *"A Margô é uma senhora fina."* É elogio máximo.

Luísa riu. — Então vou convidar.

— Mas faz direito. Liga e convida pessoalmente, não manda mensagem.

— Fala sério?

— Convite de Natal é por telefone. Tradição.

Luísa pegou o celular e ligou.

— Mãe! O Carlos quer saber se a senhora passa o Natal com a gente.

Carlos ouviu a voz empolgada da Dona Margô do outro lado.

— Ela aceitou — Luísa disse, desligando.

— Sabia.

No Natal, a Dona Margô chegou com uma sobremesa. Bolo de milho. Ela e a Dona Lúcia se abraçaram na porta como velhas amigas.

— Margô, que bolo lindo!

— É receita de família.

— Então vamos provar.

Carlos olhou da cozinha. As duas estavam na sala, conversando, o Toby deitado no pé das duas.

— Deu certo — ele murmurou.

A Luísa apareceu atrás.

— Deu.

— Sua mãe tá feliz.

— E a sua também. Olha elas.

Na ceia, a Dona Margô sentou ao lado da Dona Lúcia. Carlos serviu o vinho e pensou que incluir sogra não era tão difícil. Era só tratar como família.

*Continua em: 282 — Luísa — Celebrar aniversário dos sogros*