Como celebrar o aniversário dos pais?

Luísa

Luísa estava com o celular na mão, olhando o calendário. O aniversário da Dona Margô era no sábado, e ela ainda não tinha plano.

— O que a gente faz pra mãe? — ela perguntou pro Carlos, que passava com o Toby.

— Não sei. O que ela gosta?

— Ela gosta de coisa simples. Um almoço. A família junta.

— Então faz isso.

— Mas é muito pouco?

Carlos parou. — Luísa, sua mãe é professora aposentada. Ela passou trinta anos avaliando trabalho de aluno. Se ela diz que gosta de simples, é simples.

— É que ultimamente toda celebração vira um evento. Bolo temático, decoração, lembrancinha...

— Mas não precisa. Às vezes o melhor presente é presença.

Ela pensou. Pegou o celular e mandou uma mensagem pra mãe.

*"Mãe, o que a senhora quer fazer no sábado?"*

A resposta veio em segundos: *"Quero almoçar com vocês. Se der, um pastel de feira."*

Luísa riu e mostrou pro Carlos.

— Viu? — ele disse. — Pastel de feira.

No sábado, ela acordou cedo. Passou na feira, comprou pastéis de carne e queijo, uma porção de caldo de cana. Chegou na casa da mãe com as sacolas.

— Mãe!

Dona Margô apareceu na porta, de avental, a cozinha cheirando a café fresco.

— Filha! Que sacola é essa?

— Pastel de feira. A senhora pediu.

— Nossa, eu falei brincando.

— Eu não.

Elas sentaram na mesa da cozinha. Os pastéis estavam quentes, a massa crocante. Dona Margô mordeu o primeiro e fechou os olhos.

— Que delícia.

— Feliz aniversário, mãe.

— Obrigada, filha. Sabe o que é melhor?

— O quê?

— É que você ouviu. Não inventou uma festa. Só fez o que eu pedi.

Luísa mordeu o pastel. O óleo escorreu no queixo. Ela limpou com o guardanapo.

— Ano que vem a senhora pede de novo. E eu trago de novo.

— Combinado.

*Continua em: 281 — Carlos — Incluir sogra nas festas de família*