Como pedir ajuda em evento religioso?

Carlos

Carlos não era frequentador de igreja, mas tinha ido ao batizado do sobrinho num sábado à tarde. A cerimônia tinha acabado e a família se espalhava pelo salão paroquial.

Ele estava no canto, com um copo de refrigerante, quando sentiu um aperto no peito.

— Respira — ele murmurou.

Mas o aperto não passou. Ele sentiu o suor frio na testa. A visão escureceu nas bordas.

Ansiedade. Sabia o que era. Mas nunca tinha batido tão forte.

Ele caminhou devagar até o banco mais próximo e sentou. A respiração estava curta. As mãos tremiam.

— Moço, cê tá bem? — uma voz perguntou.

Era um rapaz novo, de túnica branca, provavelmente um coroinha ou seminarista.

— To... tonto — Carlos conseguiu dizer.

— Espera aí. Vou chamar o padre.

— Não precisa...

— Precisa sim. Fica aí.

O rapaz sumiu e voltou em segundos com um padre de meia-idade.

— Moço, me diz o que cê tá sentindo.

— Falta de ar. Coração acelerado. Visão escura.

O padre sentou ao lado dele.

— É ansiedade. Já teve antes?

— Já. Mas não assim.

— Você comeu hoje?

— Comi.

— Bebeu água?

— Bebi.

— Tá passando por alguma situação difícil?

Carlos engoliu. — Semana corrida. Muita coisa no trabalho.

O padre colocou a mão no ombro dele.

— Põe a mão aqui no meu peito. Respira junto comigo.

Carlos colocou a mão. Sentiu o peito do padre subir e descer.

— Inspira. Segura. Solta devagar.

Ele repetiu três vezes. A visão clareou. O aperto diminuiu.

— Melhorou?

— Melhorou.

— Ansiedade é traiçoeira. Acontece nos momentos que a gente menos espera.

— Obrigado, padre.

— Não precisa agradecer. Se bater de novo, faz o mesmo. Se não passar, vai no hospital.

— Vou.

Carlos ficou mais um tempo sentado. Depois se levantou, foi até o banheiro, lavou o rosto. Quando olhou no espelho, a cor tinha voltado.

*Continua em: 280 — Luísa — Celebrar aniversário dos pais*