A igreja estava cheia. Era a festa de São João, e a comunidade tinha montado barracas na praça em frente. Luísa acompanhava Dona Margô, que tinha ido acender uma vela e aproveitar a quermesse.
— Filha, vai pegar uma água pra mim? — Dona Margô pediu, sentando num banco.
— Vou.
Luísa andou até a barraca de bebidas. Foi quando ouviu o grito.
— Meu Deus, alguém desmaiou!
Ela virou. Uma senhora de idade estava caída perto do coreto. Um círculo de pessoas se formou em volta.
— Ajuda alguém! — outra voz gritou.
Luísa hesitou. Não era enfermeira. Não sabia o que fazer. Mas a senhora estava no chão, e ninguém fazia nada além de olhar.
Ela respirou e foi.
— Com licença — ela disse, abrindo caminho.
Quando chegou perto, viu que a senhora estava consciente, mas pálida, a respiração ofegante.
— A senhora me ouve? — Luísa perguntou, ajoelhando.
A senhora piscou.
— A senhora tem algum problema de saúde? Diabetes? Pressão?
— Diabética — a senhora murmurou.
— Alguém tem açúcar? Suco? Refrigerante? — Luísa perguntou pra multidão.
Uma moça correu e voltou com um copo de suco.
— Toma, senhora. Bebe devagar.
A senhora bebeu. A cor voltou aos poucos.
— Alguém chama uma ambulância — Luísa pediu.
— Já chamaram — alguém respondeu.
Enquanto esperava, Luíxa manteve a senhora sentada, falando baixo.
— A senhora vai ficar bem. Já vem ajuda.
— Obrigada, minha filha — a senhora sussurrou.
A ambulância chegou em dez minutos. Os paramédicos avaliaram e levaram a senhora. O padre se aproximou de Luísa.
— Você foi muito bem. Teve calma.
— Eu não sabia o que fazer. Só agi.
— Agiu bem. Saber pedir ajuda e manter a pessoa calma é o mais importante.
Dona Margô apareceu, segurando a vela.
— Filha, você ajudou aquela senhora?
— Ajudou — o padre respondeu por ela.
— Que orgulho.
Luísa olhou pra praça, que tinha voltado ao movimento normal. A barraca de doces, as crianças correndo, o som da sanfona. A emergência tinha passado.
*Continua em: 279 — Carlos — Pedir ajuda em evento religioso*