Como agir em uma manifestação violenta?

Luísa**

O som chegou antes do quebra-quebra. Luísa estava na borda da manifestação, perto de uma banca de jornal, quando ouviu os gritos mudarem de tom.

— Corre! — alguém gritou.

Ela virou. Um grupo de encapuzados corria na direção oposta ao protesto pacífico, quebrando vidraças. Uma pedra atingiu o toldo da banca.

— O que foi? — ela perguntou pro homem ao lado.

— Infiltrado. Grupo pagou pra quebrar tudo e jogar a culpa nos manifestantes. Vaza daqui.

O coração dela disparou. Ela olhou em volta. Pessoas corriam pra todo lado. Um carro da polícia chegou com a sirene ligada.

Luísa respirou e pensou no que fazer.

— Não corre sem direção — ela murmurou.

Ela se afastou do fluxo de pessoas e procurou uma rua lateral. Viu uma entrada de prédio comercial com a porta entreaberta.

Entrou. O saguão estava vazio, com exceção de um segurança atrás de um balcão.

— Moça, o que foi? — ele perguntou.

— Manifestação na avenida. Virou tumulto.

— Fica aqui. Fecha a porta.

Ela sentou no banco de espera. Lá fora, os sons eram confusos — gritos, buzinas, algo que parecia madeira quebrando.

Ela pegou o celular. Digitou uma mensagem pro Carlos: *"To bem. Manifestação ficou violenta, mas tô abrigada num prédio. Não sai de casa."*

A resposta veio em segundos: *"Onde vc tá? Vou te buscar."*

*"Não vem. Fica aí. Quando acalmar, vou de uber."*

*"Me avisa assim que sair."*

*"Prometo."*

Ela guardou o celular. O segurança veio até ela.

— Já vi isso antes — ele disse. — Uns vinte minutos e acalma. A polícia dispersa.

— E quem tava protestando de verdade?

— Vai preso junto com os baderneiros. Infelizmente é assim.

Luísa ficou quieta. Meia hora depois, o barulho diminuiu. Ela espiou pela porta. A rua estava cheia de cacos de vidro e uma viatura parada.

Ela pediu o Uber de dentro do saguão. O carro chegou em cinco minutos.

— Segura aí, moça — o motorista disse, desviando dos cacos.

No caminho, ela pensou. Amanhã ia pesquisar como participar de manifestação pacífica de verdade, com organização, sem risco de ser confundida com quem não era.

*Continua em: 277 — Carlos — Pedir ajuda em manifestação violenta*