A secretaria da escola do Pedro indicou o caminho da sala do diretor. Carlos passou a mão no papel que tinha impresso com a proposta e respirou fundo.
— Pode entrar — uma voz disse depois que ele bateu.
O diretor era um homem de uns cinquenta anos, grisalho, de óculos de aro grosso. Atrás dele, uma parede cheia de certificados e fotos de formatura.
— Bom dia. O senhor é o diretor?
— Sim. Diretor Almeida. E você?
— Carlos. Pai do Pedro, do sexto ano.
— Pedro Almeida? O menino do projeto de ciências?
Carlos se surpreendeu. — O senhor conhece?
— Conheço todos os alunos que se destacam. Ele é bom. Senta.
Carlos sentou na cadeira da frente. O diretor apoiou os cotovelos na mesa.
— O que posso fazer por você?
— Então, eu vim falar sobre a feira de ciências do fim do ano.
— Ótimo. Tô precisando de pais envolvidos.
— Pois é. A gente do grupo de pais queria saber se a escola pode patrocinar uma parte do evento. Tipo os materiais pros stands.
O diretor inclinou a cabeça. — Patrocinar como?
— A gente calculou que cada stand sai por uns cem reais de material. São vinte stands. Dois mil reais. A escola pode cobrir?
— Dois mil?
— Ou parte disso. A gente também tá buscando doação de material com empresas da região.
O diretor ficou pensativo. Pegou uma caneta e começou a girar entre os dedos.
— O orçamento da escola já tá fechado pra esse ano. Mas eu tenho um fundo pra projetos pedagógicos. Posso liberar setecentos.
— Setecentos ajuda muito.
— E vocês conseguem o resto com as empresas?
— Vou correr atrás.
— Gosto de pai que corre atrás. Me traz a lista de materiais e os nomes das empresas que vocês vão abordar. Assim eu vejo se posso liberar mais.
Carlos sorriu. — Pode deixar.
— E parabéns pelo Pedro. Ele tem futuro.
— Obrigado, diretor.
Carlos saiu da sala com o papel na mão. Não era tudo que ele queria, mas setecentos reais era o suficiente pra começar.
*Continua em: 274 — Luísa — Perguntar ao colega sobre evento acadêmico*