O auditório da universidade estava cheio. Carlos tinha ido a um congresso de administração a convite de um colega de trabalho. A palestra do professor Marcelo tinha acabado, e uma pequena multidão se aglomerava em volta dele.
— Vai lá — o colega disse.
— Agora?
— Agora. Depois ele vai embora e você perde a chance.
Carlos engoliu o nervosismo. O professor Marcelo era referência na área de logística, o assunto que Carlos mais gostava.
Ele esperou a fila diminuir. Quando sobrou uma brecha, se aproximou.
— Professor, posso falar um minuto?
O professor virou. Tinha um semblante cansado mas atencioso.
— Claro.
— Meu nome é Carlos, sou analista de operações. Trabalho com logística. Sua palestra sobre distribuição urbana foi muito boa.
— Obrigado. Qual parte você mais gostou?
Carlos pensou. Não queria responder genérico.
— A parte sobre a última milha. A gente tem um problema parecido na transportadora que eu trabalho. O centro da cidade é um gargalo.
O professor acendeu. — É o gargalo de todo mundo. Qual transportadora?
— Transportadora América.
— Conheço. Vocês têm uma frota boa.
— Pois é. Mas a entrega no centro sempre atrasa.
— Por quê?
— Restrição de horário pra caminhão grande.
O professor anotou algo num papel. — Já pensaram em usar bicicletas de carga? Tem um estudo da UFMG sobre isso.
— Não conheço.
— Te mando o link. Me passa seu contato.
Carlos passou o número. O professor guardou o celular e estendeu a mão.
— Parabéns pela pergunta. A maioria vem aqui, tira foto e vai embora. Você veio com problema real.
— Obrigado, professor.
— Manda o link amanhã — ele disse, já se virando pra outro participante.
Carlos saiu do auditório com o coração batendo. Não tinha sido difícil. Era só ser direto, mostrar interesse real e não ocupar mais tempo do que o necessário.
*Continua em: 272 — Luísa — Perguntar ao professor sobre formatura*