A assembleia do condomínio estava no segundo hora de discussão. O assunto era o aumento do condomínio, e as vozes já estavam elevadas.
— Isso é um absurdo! — o seu Valdir, do 401, bateu na mesa. — Todo ano é a mesma história. A gente nunca vê obra, só taxa nova.
O síndico tentou acalmar. — Seu Valdir, a gente precisa fazer a manutenção do elevador.
— Precisa todo ano?
— Precisa.
Luísa estava sentada no fundo, o caderno de anotações no colo. Ela não gostava de falar em público, mas o assunto era importante.
A discussão continuou. Um vizinho interrompia o outro. A síndica parecia exausta.
Luísa respirou. Levantou a mão.
A síndica viu. — Luísa, quer falar?
— Quero.
A sala inteira virou pra ela.
— Eu entendo a frustração de todo mundo — ela disse, com a voz calma. — O aumento é alto. Mas queria perguntar uma coisa: a gente já pediu orçamento de outra empresa de elevador? Pra comparar?
A síndica parou. — A gente pediu um orçamento só, da empresa que já faz a manutenção.
— E se a gente pedir mais dois? Só pra ter parâmetro.
O seu Valdir franziu a testa. — Isso não é má ideia.
— E também — Luísa continuou —, a gente podia criar um grupo de whatsapp só pra discutir as contas do condomínio. Com transparência. Todo mundo vê onde o dinheiro tá indo.
A síndica anotou. — Tudo bem. Posso pedir mais dois orçamentos e criar o grupo.
O seu Valdir cruzou os braços, mas não discutiu.
Depois da assembleia, a vizinha do 201 se aproximou.
— Gostei do que você falou. Calmo, direto. Não precisou gritar.
— Gritar não resolve — Luísa respondeu, guardando o caderno na bolsa.
— Mas todo mundo grita.
— Por isso que quase ninguém resolve nada.
A vizinha riu. Na saída, o elevador desceu silencioso. A obra ia sair. Mas pelo menos agora todo mundo sabia o preço.
*Continua em: 271 — Carlos — Abordar professor em evento científico*