Como se comportar em festa de confraternização?

Carlos

O salão de festas do restaurante estava decorado com balões azul e branco. A confraternização de fim de ano da Transportadora América reunia uns sessenta funcionários, e Carlos estava no canto, com um copo de refrigerante na mão, observando o movimento.

O Carlos passou perto e parou.

— Carlos, por que você tá no canto?

— To observando.

— Observando o quê?

— O pessoal.

Carlos ajustou os óculos. — Vem aqui. Vou te apresentar um pessoal do financeiro.

— Mas...

— Vem.

Carlos seguiu o chefe até uma mesa onde três pessoas conversavam. Uma mulher de cabelo cacheado e dois homens de terno.

— Pessoal, esse é o Carlos, da operações. O melhor analista que a gente tem.

— Nossa, Carlos, essa é forte — um dos homens disse, rindo.

— É sério. Carlos, esse é o Sérgio, do financeiro.

Carlos estendeu a mão. — Prazer.

— O Carlos nunca elogia ninguém. Cê deve ser bom mesmo.

— Ele exagera.

— Exagero nada — Carlos cortou. — Fica aqui, conversa com eles. Vou pegar mais uma água.

Carlos saiu e Carlos ficou com o grupo. Silêncio de dois segundos.

— Então, operações é puxado? — a mulher perguntou.

— Tem dias. Mas é gostoso.

— O que vocês tão resolvendo agora?

Carlos pensou. Podia falar de trabalho, mas confraternização não era lugar pra isso.

— A gente tá implantando um sistema novo de rotas. Mas isso é papo de segunda. Hoje to no off.

Ela riu. — Justo. Cê bebe ou só refrigerante?

— Só refri. Dirijo.

— Responsável. Gosto disso.

A conversa fluiu. Falaram de séries, de trânsito, do calor que tava fazendo. Carlos percebeu que não precisava ser o centro das atenções. Só precisava estar ali, aberto.

No fim da noite, Carlos voltou.

— Sobreviveu?

— Sobrevivi.

— E conheceu gente nova?

— Conheci.

— Então no ano que vem você não fica no canto.

Carlos sorriu. O Carlos tinha razão. Festa de empresa não era lugar de ficar escondido. Mas também não era lugar de se perder. Era lugar de aparecer, cumprimentar, e saber a hora de ir embora.

*Continua em: 270 — Luísa — Manifestar na assembleia sem agressividade*