O telão ainda estava escuro quando Luísa subiu no palco. O salão do hotel estava cheio — umas duzentas pessoas, entre designers, publicitários e estudantes. Ela ajustou o microfone no suporte e ouviu o próprio coração batendo na orelha.
— Boa tarde — ela disse.
A voz saiu mais fina do que ela queria. Engoliu seco.
— Meu nome é Luísa Tolentino Martins, sou designer gráfica e sócia do Estúdio Cria. A gente trabalha com branding e comunicação visual pra pequenas empresas.
A Camila estava na primeira fila, com o polegar pra cima.
— Vou falar hoje sobre como um bom design pode transformar um negócio pequeno. Mas antes, queria saber: quantos de vocês já compraram um produto só pela embalagem?
Uns braços se levantaram. Ela sentiu o gelo quebrar um pouco.
— Pois é. Eu também. E não é só impressão — é estratégia.
Ela clicou no controle e o primeiro slide apareceu. Era o case de uma marca de temperos que o estúdio tinha reformulado. Ela mostrou o antes e o depois.
— A embalagem antiga era genérica. A nova conta uma história. Qual história?
Ela esperou. Alguém na plateia respondeu: — Da avó?
— Exato.
O restante da apresentação fluiu. Ela mostrou mais dois cases, falou sobre cores, tipografia, a importância de entender o público. No final, abriu pra perguntas.
— Luísa, como você lida com cliente que não quer mudar o logotipo? — um rapaz de óculos perguntou.
Ela riu.
— Com paciência. E com dados. Mostro resultados, não opinião.
A palestra terminou com aplausos. Ela desceu do palco e a Camila já estava lá.
— Mandou bem.
— Minhas pernas tão tremendo.
— Não pareceu.
Luísa respirou fundo e pegou o copo de água que a Camila estendeu. A adrenalina ainda corria. Mas ela tinha conseguido. Duzentas pessoas ouvindo. Ninguém dormiu.
*Continua em: 269 — Carlos — Comportar em festa de confraternização*