A tela do notebook mostrava o site da ONG Recicla Vida. Luísa tinha encontrado o link num post da Camila e ficou curiosa. Eles faziam eventos de conscientização ambiental nos parques da cidade, e ela queria ajudar.
— É só mandar um e-mail? — ela perguntou pro Carlos, que passava com o Toby na coleira.
— Acho. Ou ligar.
— Prefiro mensagem. E-mail parece muito formal pra primeira abordagem.
— Então manda pelo formulário do site.
Ela clicou no menu *Contato* e encontrou o formulário. Nome, e-mail, assunto. Escreveu:
*"Olá! Me chamo Luísa e tenho interesse em atuar como voluntária nos eventos da ONG. Trabalho com design gráfico e posso ajudar com a parte visual. Gostaria de saber como funciona a inscrição e se há necessidade de experiência prévia."*
— Pronto — ela disse, e clicou em enviar.
— Já?
— É rápido.
Dois dias depois, a resposta chegou. Uma moça chamada Ana, da coordenação de voluntariado, pedia pra ela ir até a sede da ONG numa quarta à tarde.
Luísa chegou no horário. A sede era uma casa antiga no Centro, com uma placa pintada à mão na fachada. Uma moça de cabelo preso e camiseta da ONG atendeu na porta.
— Luísa? Sou a Ana. Pode entrar.
A sala tinha mapas na parede, pilhas de panfletos e uma mesa de madeira comprida com cadeiras descombinadas.
— Senta. Conta mais sobre você.
Luísa sentou e apoiou a bolsa no colo.
— Trabalho com design. Tenho um estúdio com uma sócia. Queria ajudar nos eventos, talvez com a parte gráfica — cartazes, divulgação, sinalização.
Ana anotou. — Tem portfólio?
— Posso mandar por e-mail.
— Ótimo. A gente precisa muito dessa parte. Nossos voluntários geralmente são da área de logística. Alguém que entende de comunicação é raro.
— Então posso ajudar?
— Pode sim. A gente tem um evento mês que vem, no Parque da Cidade. Feira de troca de livros. A gente ia fazer os cartazes no Canva, mas se você quiser assumir...
Luísa sorriu. — Assumo.
Ana estendeu a mão por cima da mesa. — Bem-vinda, Luísa.
Ela apertou e sentiu o papel liso do folder que Ana entregou. *Manual do Voluntário.* Estava mais dentro do que esperava.
*Continua em: 267 — Carlos — Autorização para evento em via pública*