Luísa abriu o caderno de receitas da mãe e folheou até a página marcada. *Docinhos para festa — brigadeiro, beijinho, cajuzinho.* A letra da Dona Margô era miúda mas caprichada, com observações nas bordas: *"Não deixar o brigadeiro ponto de bala!"*
— Se eu fizer, vou passar a tarde na cozinha — ela murmurou.
O Carlos apareceu atrás dela. — Faz o quê?
— Doce pro aniversário do Pedro. To pensando se faço ou encomendo.
— Você cozinha bem, mas doce de festa é trabalhoso.
— Pois é.
Ela fechou o caderno e pegou o celular. Tinha uma confeitaria perto do trabalho que a Camila sempre recomendava. *Confeitaria da Dina.*
— Vou ligar — ela disse, mais pra si mesma.
— Boa sorte — Carlos respondeu, já voltando pra sala.
Ela discou. Uma voz atendeu no segundo toque.
— Confeitaria da Dina, bom dia.
— Bom dia. Queria encomendar doces pra uma festa infantil. Umas cento e cinquenta unidades, variados.
— Claro! Temos brigadeiro, beijinho, cajuzinho, olho de sogra, camafeu...
— Pode ser brigadeiro, beijinho e cajuzinho. Cinquenta de cada.
— Perfeito. Qual a data?
— Dia vinte e três, retirar às nove da manhã.
— Anotei. Cento e cinquenta unidades, três sabores. A senhora quer algo escrito nos doces?
— Escrito?
— Tipo *"Parabéns, Pedro"* em alguns. A gente faz com chocolate branco.
Luísa hesitou. Não tinha pensado nisso. — Coloca em vinte. O resto tradicional.
— Pode deixar. Fecha em cento e trinta reais.
— Fechado.
Ela desligou e anotou no calendário. Cento e cinquenta doces, cento e trinta reais, retirar nove da manhã.
Carlos passou pela cozinha de novo. — Fechou?
— Fechou. Cento e trinta.
— Mais barato que os salgados.
— Mas mais doce também.
Ele riu. Ela apoiou o queixo na mão e olhou pro caderno da mãe. Um dia ainda ia fazer os doces ela mesma. Mas pra essa festa, a Dina resolvia.
*Continua em: 265 — Carlos — Pedir patrocínio para evento na padaria*