O celular vibrou em cima da mesa da cozinha. Carlos pegou, leu a mensagem da Luísa e gemeu baixinho.
*"Amor, precisamos fechar os salgados da festa do Pedro. Liga na padaria hoje."*
— Festa? Que festa? — ele murmurou.
Luísa apareceu na porta da sala, uma caneca na mão.
— O aniversário do Pedro, mês que vem. A gente combinou mês passado.
— Mês passado você falou em *pensar* numa festa.
— Pensar já foi. Agora é fazer.
Carlos passou a mão na nuca. A última vez que ele tinha encomendado salgado foi na formatura do primo, e a mãe dele que tinha resolvido tudo.
— É só ligar e pedir — Luísa disse, como se lesse a preocupação. — Fala o tipo, a quantidade, o dia e horário pra retirar.
— E se errar a quantidade?
— Melhor sobrar do que faltar. Calcula uns doze salgados por pessoa. O Pedro vai chamar uns quinze amigos.
— Doze vezes quinze... cento e oitenta?
— Boa, matemático.
Ela deu um tapinha no ombro dele e voltou pra sala.
Carlos pegou o celular, abriu o contato da Padaria do Seu Jorge e discou antes que a ansiedade crescesse.
— Padaria do Jorge, bom dia.
— Bom dia. É o Carlos, do 302. Queria encomendar salgados pra uma festa.
— Claro, Carlos. Pode falar.
Ele respirou fundo. Cento e oitenta salgados. Doze por pessoa. Coquete! — ele falou, firmando a voz. — Cento e oitenta salgados variados. Pra daqui três sábados, retirar às dez da manhã.
— Variados como? Coxinha, bolinha de queijo, kibe, enroladinho?
— Isso. Pode colocar quarenta de cada.
— Fechado. Anotei aqui. Cento e oitenta salgados, variados, pro dia vinte e três, às dez horas.
— Qual o valor?
— Noventa reais o cento, dá cento e sessenta e dois. Mas como é festa de criança, faço cento e cinquenta.
Carlos sorriu. — Valeu, Seu Jorge.
— Pode deixar. No dia, passa aqui que eu separo.
Ele desligou e sentiu um alívio leve descendo pelas costas. Não tinha sido nada demais. Era só ligar e pedir.
— Fechou? — Luísa gritou da sala.
— Fechou. Cento e cinquenta reais, cento e oitenta salgados.
— Viu? Fácil.
Ele apoiou o celular na mesa e olhou pro calendário. Daqui três sábados. Tinha dado tempo.
*Continua em: 264 — Luísa — Encomendar doces para festa*