O que ser pai/mãe ensina sobre o amor?

Beto

O bebê estava dormindo. A casa arrumada. Um silêncio raro.

Beto e Clarinha estavam no quintal, olhando as estrelas.

— Um ano e pouco — Beto disse.

— Um ano e pouco.

— E o que você aprendeu?

— Sobre o quê?

— Sobre o amor.

Ela pensou.

— Aprendi que amor não é sentimento.

— Não?

— Não. É escolha.

— Escolha?

— A gente escolhe amar. De manhã, quando o bebê chora e a gente quer dormir. A gente escolhe.

— É.

— Aprendi que amor cansa.

— Cansa.

— Mas não acaba.

— Não.

— Aprendi que amor é mão na massa. É acordar de madrugada. É trocar fralda. É ter paciência.

— É.

— E você?

Beto pensou.

— Aprendi que o amor cabe mais.

— Mais?

— Eu achava que amava você no máximo. Depois que o Antônio nasceu, descobri que cabia mais.

— Mais amor?

— Mais. — Ele virou pra ela. — Não é que eu ame você menos. É que o amor cresceu.

— Cresceu pra caber ele.

— Isso.

— E a gente?

— A gente continua.

— Continua?

— A base. — Ele segurou a mão dela. — O amor que a gente tem é a fundação. O Antônio é a casa que construímos em cima.

— Bonito.

— Verdade.

Ela encostou nele.

— O que você aprendeu sobre o amor?

— Que ele é maior que a gente. — Ele olhou pro céu. — Que a gente pensa que sabe o que é amar. Mas não sabe. Só descobre quando tem um filho.

— E agora sabe?

— Sei que não sei nada. — Ele riu. — Mas sei que amo.

— É o suficiente.

— É.

— Pai e mãe.

— Amor de verdade.

— Amor que não acaba.

— Amor que só cresce.

Ela beijou ele.

— Feliz jornada.

— Feliz jornada.

Lá dentro, o bebê dormia. O amor crescia. A família continuava.

*Continua em: —*