A festa tinha acabado. Os últimos convidados foram embora. A casa estava silenciosa.
Clarinha sentou no sofá. O cansaço pesava.
Beto sentou do lado.
— Cansada?
— Muito.
— Mas feliz?
— Muito.
Ela olhou em volta. Os balões ainda pendurados. O bolo pela metade. OS presentes empilhados.
— Um ano. Passou voando.
— Voando.
— Parece que foi ontem que a gente descobriu.
— Lembra do teste?
— Lembro. Eu tremendo no banheiro.
— Eu achando que era brincadeira.
— E não era.
— Era a vida mudando.
Ela encostou nele.
— Antes a gente era dois.
— Dois.
— Agora é três.
— Três.
— A gente mudou tanto.
— Mudou.
— Mas ainda é a gente.
— Ainda.
— Só que maior.
— Mais completo.
Ela ficou em silêncio.
— Você acha que a gente perdeu alguma coisa?
— Perdeu.
— O quê?
— Espontaneidade. Silêncio. Noites de sono.
— E ganhou?
— Ele. — Beto apertou a mão dela. — E uma versão de nós que não existia.
— Que versão?
— A que cuida. A que protege. A que ama incondicionalmente.
— A que acorda de madrugada.
— A que não desiste.
— A que segura a mão do outro.
— A que não solta.
Ela virou o corpo.
— Sabe uma coisa?
— O quê?
— Eu faria tudo de novo. Cada noite mal dormida. Cada preocupação. Cada choro.
— Eu também.
— Porque no final…
— É ele.
— É ele.
— É nós.
O bebê chorou do quarto.
— Lá vamos nós — ela disse.
— Lá vamos nós.
Levantaram. Foram juntos.
*Continua em: livreto-250.md — O que ser pai/mãe ensinou sobre o amor*