— Festa de um ano é pra quem? — Beto perguntou.
— Pro bebê.
— Ele não vai lembrar.
— Mas a gente vai.
— E os convidados.
— E os convidados.
— Então é pros outros?
— É pra celebrar a gente ter sobrevivido um ano.
Ele riu.
— Isso faz sentido.
Organizar a festa foi uma operação logística.
— Tema?
— Ursinho.
— Comida?
— Salgadinho, bolo, suco.
— Bolo?
— De chocolate.
— Docinhos?
— Brigadeiro, beijinho, cajuzinho.
— Lembrancinha?
— Mini pelúcia.
— Balões?
— Balões.
— Decoração?
— Contratamos.
Beto anotou tudo.
— Orçamento?
Ela disse o valor.
Ele assobiou.
— Caro.
— Bebê é caro. Festa de bebê também.
— Mas a gente faz.
— A gente faz.
No dia da festa, a casa encheu. Parentes, amigos, o Pedro correndo, Toby latindo.
O bebê usou um macacão com gravata borboleta.
— Ele tá um senhor — Beto disse.
— Um senhor de um ano.
— Já tem ruga de preocupação?
— Só de expressão.
O bebê passou a festa no colo de todo mundo. Comeu bolo com as mãos. Lambeu brigadeiro. Sorriu pras fotos.
— Cansado? — Beto perguntou no final.
— Exausta.
— Valeu a pena?
Ela olhou pro filho, dormindo no berço, sujo de bolo.
— Valeu.
— Ano que vem tem de novo.
— Ano que vem.
— E no outro.
— E no outro.
— Até ele não querer mais.
— Aí a gente faz pra nós.
— Pra nós.
— Comemorar a gente ter chegado até aqui.
Beto abraçou ela.
— Obrigado pelo ano.
— Obrigada por tudo.
*Continua em: livreto-249.md — Reflexão: antes eram dois, agora são três*