Um ano. A consulta marcava o fim do primeiro ano de vida.
A pediatra pesou, mediu, examinou.
— Tudo perfeito. Peso ideal, altura dentro do esperado, desenvolvimento motor avançado.
— Avançado? — Beto perguntou.
— Ele já anda com apoio. Fala algumas palavras. Interage. Tá ótimo.
Clarinha segurou o bebê no colo.
— E as vacinas?
— Tem as de um ano. Vai chorar, mas passa.
— A gente sabe.
A médica sorriu.
— Como vocês estão?
— Nós? — Clarinha estranhou.
— Os pais. Como tão?
Beto e Clarinha se olharam.
— Cansados — Beto disse.
— Muito — Clarinha completou.
— Mas felizes — Beto emendou.
— Muito — ela repetiu.
A médica anotou.
— Cansaço é normal. Mas se o cansaço virar tristeza, me procuraram.
— Pode deixar.
Na saída, Beto segurou o bebê.
— Um ano, filho.
— Um ano.
— Você já era um grão de feijão.
— Agora é um menino.
— Que anda.
— Quase.
— Que fala.
— Algumas palavras.
— Que tem personalidade.
— Teimoso.
— Igual ao pai.
— Igual à mãe.
O bebê apontou pro carro.
— Ca — ele disse.
— Carro? — Beto perguntou.
— Ca.
— Ele falou carro.
— Falou.
— Genial.
— Normal. — Clarinha riu. — Filho de pai genial.
— E mãe genial.
Entraram no carro. Um ano de vida. Uma vida inteira de descobertas pela frente.
*Continua em: livreto-248.md — Festa de 1 ano - organização*