O bebê tinha começado a engatinhar. E a casa virou um campo minado.
— Beto, ele foi pra cozinha.
— Pega.
— Ele já tá puxando na estante.
— Tira.
— Ele achou um fio.
— Tapa.
Era um loop infinito.
Beto decidiu agir.
— Vamos fazer baby proofing.
— O quê?
— Deixar a casa segura pra ele.
Ele comprou protetores de tomada. Travas nos armários. Cantoneiras de silicone nas mesas.
Passou o sábado inteiro instalando.
— Pronto.
— Testa.
Ele colocou o bebê no chão. O bebê engatinhou direto pra estante.
— A estante tá presa na parede?
— Prendi.
— Os livros?
— Nas prateleiras baixas, só os de pano.
— As tomadas?
— Tampadas.
— Os fios?
— Escondidos.
O bebê parou no meio da sala. Olhou em volta. Parecia confuso.
— Ele não achou nada pra fazer — Clarinha disse.
— Exatamente.
— Ele tá frustrado?
— Preferível a machucado.
O bebê sentou. Bateu a mão no chão.
— Ele quer um brinquedo.
— Dá o chocalho.
Ela deu. O bebê chacoalhou. Sorriu.
— A gente conseguiu.
— Conseguimos.
— Casa segura.
— Por enquanto.
— Até ele andar.
— Aí a gente refaz.
Beto olhou a sala. Tomadas tampadas, quinas protegidas, estante presa.
— Nunca pensei que ia passar um sábado fazendo isso.
— Nem eu.
— Mas valeu a pena.
— Valeu.
O bebê engatinhou até ele. Subiu na perna.
— Papai.
Beto congelou.
— Ele falou?
— Acho que sim.
— Papai. Ele falou papai.
— Foi a primeira palavra?
— Foi.
Ele pegou o bebê no colo.
— Papai ama você, filho.
O bebê sorriu.
Baby proofing feito. Primeira palavra conquistada.
*Continua em: livreto-244.md — Primeira palavra - disputa de quem ouviu primeiro*