O bebê estava na fase de só querer colo. Se colocasse no berço, chorava. Se colocasse no carrinho, chorava.
Beto aprendeu a fazer tudo com uma mão.
Comer era o maior desafio.
— Como você faz? — Clarinha perguntou.
— Técnica.
Ele colocou o bebê no braço esquerdo. Com a mão direita, pegou o garfo. Enrolou o espaguete. Levou à boca.
— Droga.
— O que foi?
— Caiu.
— O espaguete?
— No chão.
Ela riu.
— O Toby agradece.
Toby já estava debaixo da mesa, pronto pra qualquer migalha.
Beto tentou de novo. Dessa vez conseguiu.
— Comi.
— Vitória.
— Uma mão só. É uma arte.
— Arte?
— Sobrevivência.
Clarinha sentou com o bebê no colo.
— O segredo é apoiar o prato perto.
— Perto?
— Bem perto. E comida que não precisa cortar.
— Tipo?
— Tipo lasanha. Ou sanduíche. Ou frango desfiado.
— Anotado.
— Macarrão é furada.
— Descobri.
Ela comeu com a mão livre.
— A gente se adapta.
— A gente se adapta.
— Vai ter fase que a gente come frio.
— Já como.
— Vai ter fase que a gente não come.
— Já não comi.
— Vai passar.
— Vai.
O bebê dormiu no colo.
— Finalmente — Beto disse.
— Finalmente.
— A gente pode comer em paz.
— Até ele acordar.
— Até.
— Que vai ser em vinte minutos.
— Vinte minutos de paz.
— Aproveita.
Ela comeu rápido.
*Continua em: livreto-243.md — Bebê engatinhando - baby proofing da casa*