A ceia de Natal foi na casa da Dona Marta. Árvore enfeitada, luzes piscando, cheiro de panetone.
Clarinha arrumou o bebê com um macacão vermelho de natal. Minúsculo. Perfeito.
— Ele tá um biscoito — Beto disse.
— Um biscoito?
— De gengibre. Comestível.
— Nojento.
— Mas fofo.
Na casa da Dona Marta, todo mundo queria pegar o bebê.
— Deixa eu ver — Dona Marta disse.
— Agora é minha vez — Seu Antônio falou.
— Eu ainda não segurei — Luísa reclamou.
O bebê passou de colo em colo. Ele dormiu a maior parte do tempo, alheio à comoção.
— Ele não liga pro Natal — Beto observou.
— Ele liga pro colo quente.
— É a mesma coisa.
Na hora da ceia, colocaram o bebê no bebê-conforto perto da mesa. Ele acordou, olhou as luzes da árvore.
— Ele tá hipnotizado.
— As luzes.
— Lindo.
Ela encostou no ombro de Beto.
— Primeiro Natal dele.
— Primeiro de muitos.
— Ano passado a gente nem sabia que ele existia.
— Existia. Só não sabia.
— Agora sabe.
— Agora.
O bebê sorriu pras luzes.
— Ele amou o Natal.
— Ele amou.
— Ano que vem ele vai estar andando.
— Não me lembra.
— Vai estar correndo.
— Para.
— Vai estar falando.
— Clarinha. — Ele beijou ela. — Deixa ele ser bebê primeiro.
— Tá bom. Deixo.
Ela olhou o filho. A família. O amor.
Primeiro Natal. Inesquecível.
*Continua em: livreto-242.md — Os dois aprenderem a comer com uma mão só*