Beto estava na porta do quarto. Clarinha não tinha visto ele chegar.
Ela estava sentada na poltrona de amamentação, o bebê no colo. Cantarolava uma música baixinha. O bebê mamava, a mãozinha apoiada no seio.
A luz da janela iluminava os dois.
Beto ficou parado. Não queria interromper.
Ele viu o cuidado. O jeito que ela segurava o bebê. A paciência. O amor nos olhos dela.
— Clarinha.
Ela olhou.
— Você tá linda.
— O quê?
— Linda. — Ele entrou. — Assim. Com ele.
— Tô toda bagunçada.
— Toda linda.
Ela sorriu.
— Você é suspeito.
— Suspeito e apaixonado.
Ele sentou no chão, na frente dela.
— Vendo você assim, com ele… — Ele passou a mão no cabelo. — Não sei explicar.
— Explica.
— Meu coração cabe mais. — Ele riu, sem graça. — Parece bobo.
— Não parece.
— Antes eu amava você. Agora amo vocês dois. E ver você cuidando dele… me faz te amar mais.
Ela colocou a mão no rosto dele.
— Você também é um pai incrível.
— Tô tentando.
— Tentando bem.
O bebê largou o peito, dormindo.
— Ele apagou — ela disse.
— Mamou e apagou.
— Vida boa.
— Vida boa.
Ele beijou o joelho dela.
— Obrigado.
— Pelo quê?
— Por ser a mãe do meu filho.
— Por ser o pai.
*Continua em: livreto-240.md — Clarinha se emocionar vendo Beto como pai*