Toby sabia que algo tinha mudado. Desde que Clarinha e Beto voltaram do hospital, a casa tinha um cheiro novo.
Ele cheirava tudo. O berço. As roupinhas. As mantas.
Quando o bebê chorava, ele inclinava a cabeça. Primeiro pra um lado. Depois pro outro.
— Toby, esse é o Antônio — Beto disse.
Toby cheirou o pé do bebê. Lambeu.
— Ele lambeu! — Clarinha riu.
— É o jeito dele de dizer oi.
Toby deitou perto do berço. Passou a vigiar.
Quando alguém chegava perto, ele olhava. Quando o bebê chorava, ele se levantava, ia ver.
— Ele virou babá — Beto disse.
— Virou.
Nas primeiras semanas, Toby não deixava o berço. Dormia debaixo. Acordava com qualquer barulhinho.
— Ele tá protegendo.
— O Antônio ganhou um guarda-costas.
— O melhor cachorro do mundo.
Toby abanou o rabo. Ele não entendia as palavras, mas entendia o tom.
Uma noite, o bebê estava no colo de Clarinha. Toby deitou no pé dela, a cabeça apoiada na pata.
— Ele ama o bebê.
— Ele ama.
— Mais do que a gente?
— Diferente.
O bebê bocejou. Toby bocejou junto.
— Tão sincronizados.
— Já são melhores amigos.
Toby latiu baixinho. O bebê assustou.
— Calma, Toby. Devagar.
Toby deitou a cabeça. O bebê se acalmou.
Amizade canina e humana. Começando.
*Continua em: livreto-239.md — Beto se emocionar vendo Clarinha como mãe*