Pedro chegou na casa da tia Clarinha com a mãe. Ele tinha oito anos e estava ansioso.
— O primo tá aí?
— Tá — Clarinha respondeu.
— Ele é pequeno?
— Pequeno.
— Pequeno como?
— Pequeno assim.
Ela mostrou o tamanho com as mãos.
— Nossa. Cabe na minha mochila?
Ela riu.
— Cabe não.
— Mas é pequeno.
— É.
Pedro se aproximou do berço. Olhou o bebê.
— Ele parece um boneco.
— Parece.
— Ele mexe?
— Mexe.
Nessa hora, o bebê virou a cabeça.
— Mexeu! — Pedro gritou.
— Baixinho — Luísa pediu.
— Mexeu mesmo, mãe. Eu vi.
Pedro ficou olhando.
— Qual o nome dele?
— Antônio.
— Igual ao seu avô?
— Igual.
— Ele sabe falar?
— Não. Só chora.
— Só chora?
— Só.
— Ele sabe fazer cocô?
— Sabe.
Pedro fez careta.
— Que nojo.
— Você também fazia.
— Não fazia.
— Fazia.
— Não lembro.
Ele se aproximou mais.
— Tia Clarinha, posso pegar?
— Senta aqui.
Ele sentou no sofá. Clarinha colocou o bebê no colo dele, com cuidado.
— Segura a cabeça.
— Tô segurando.
— Apoia o braço.
— Tô apoiando.
Pedro olhou o primo.
— Oi, Antônio. Eu sou seu primo Pedro. — Ele sorriu. — Vou te ensinar a jogar bola.
O bebê abriu os olhos.
— Ele gostou de mim.
— Gostou.
— Sabia.
Pedro ficou segurando o primo, com um cuidado que surpreendeu a todos.
— Tia Clarinha.
— Fala.
— Posso vir mais vezes?
— Pode. Quantas quiser.
— Legal.
Ele olhou pro bebê.
— A gente vai ser melhor amigo.
*Continua em: livreto-238.md — Toby conhecendo o bebê*