Trinta dias. Um mês. Beto olhou pro calendário.
— Um mês, filho.
O bebê estava no colo, olhando o ventilador.
— Um mês que você tá aqui.
— Parece que foi ontem — Clarinha disse.
— Parece que foi há um ano.
— Os dois.
Betó pegou o bolo que tinha comprado.
— Bolo?
— Bolo. Pra comemorar.
— Beto, ele não vai comer.
— A gente come. Ele assiste.
Ela riu.
Cortaram o bolo. Betó colocou uma pontinha de chantilly no nariz do bebê. Ele fez careta.
— Ele odiou — Clarinha riu.
— Tá aprendendo sobre as coisas boas da vida.
— Chantilly?
— Chantilly.
Comeram o bolo. O bebê dormiu no meio da festa.
— Um mês — Beto disse.
— Um mês.
— O que você aprendeu?
— Aprendi?
— Nesse mês.
Ela pensou.
— Aprendi que não sei nada.
— Nada?
— Nada. Achava que sabia ser mãe. Não sei.
— E o que você faz?
— Aprendo todo dia.
— Eu também.
— Isso é ser pai?
— Acho que sim. Aprender todo dia.
— E amar todo dia.
— Mesmo no cansaço?
— Mesmo no cansaço.
— Mesmo na dúvida?
— Mesmo na dúvida.
O bebê soluçou no sono.
— Até quando ele dorme, ele é lindo.
— Até quando ele dorme.
— Feliz um mês, filho.
— Feliz um mês.
*Continua em: livreto-237.md — Pedro conhecendo o primo*