Como lidar com a primeira doença do bebê?

Clarinha

O bebê acordou com quarenta de febre.

Clarinha sentiu o calor quando pegou ele no colo.

— Beto!

Ele apareceu na porta.

— O que foi?

— Ele tá queimando.

Beto tocou a testa. Quente.

— Vamos pro hospital.

— Agora?

— Agora.

No hospital, a espera foi eterna. Clarinha segurava o bebê, que alternava entre choro e moleza.

— Antônio — ela chamava. — Fica acordado, amor.

O bebê abria os olhos, fechava de novo.

— Por que a demora? — Beto perguntou na recepção.

— Tem três crianças na frente.

— Meu filho tá com quarenta de febre.

— Toda criança aqui tá com febre.

Ele respirou fundo. Voltou pra perto.

— Vamos esperar.

— E se piorar?

— A gente briga.

Ela apertou o bebê contra o peito.

Quarenta minutos depois, o pediatra atendeu.

— Infecção urinária. Vamos internar.

— Internar?

— Precisa de antibiótico venoso.

Clarinha sentiu o chão sumir.

— Quantos dias?

— Dois ou três. Depende da resposta.

No quarto do hospital, o bebê foi picado. A veia fina, o choro, o sangue. Clarinha chorava junto.

Beto segurava as duas.

— Vai passar.

— Quando?

— Logo.

— Tá demorando.

— Mas passa.

A noite foi longa. Clarinha não dormiu. Ficou olhando o soro pingar, a febre baixar devagar.

De manhã, a temperatura estava normal. O bebê mamou. Sorriu.

— Passou — ela disse.

— Passou.

— Mas foi a pior noite da minha vida.

— Da minha também.

— A gente vai passar por isso de novo.

— Vai. — Ele segurou a mão dela. — Mas agora a gente já sabe.

— Sabe o quê?

— Que a gente aguenta junto.

*Continua em: livreto-236.md — Os dois celebrarem o primeiro mês do bebê*