Como encontrar a babá ideal?

Beto

Clarinha ia voltar ao trabalho em breve. Precisavam de uma babá.

— A gente não pode deixar com qualquer um — ela disse.

— Eu sei.

— Tem que ser alguém de confiança.

— Alguém que cuide bem.

— Alguém que ame.

— Amor é muito.

— Amor não é muito. É o mínimo.

Beto pesquisou. Agências, indicações, entrevistas.

Conheceram três candidatas.

A primeira era experiente, mas fria.

— Bebê precisa de rotina — ela disse. — Horário fixo pra tudo.

— E afeto? — Clarinha perguntou.

— Afeto é consequência da rotina.

— Próxima.

A segunda era carinhosa, mas distraída.

— Esqueceu a bolsa na última casa — ela disse, rindo.

— Esqueceu?

— Mas achei depois.

— Próxima.

A terceira se chamava Dona Cida. Sessenta anos, três filhos criados, netos.

Ela chegou, sentou, olhou o bebê.

— Posso pegar?

— Pode.

Ela pegou o bebê no colo. Começou a cantar uma cantiga de ninar baixinho. O bebê se aconchegou.

— Que cantiga é essa? — Clarinha perguntou.

— Minha mãe cantava. Passei pros meus filhos. Agora canto pros netos. — Ela sorriu. — Bebê gosta de música antiga.

Beto olhou pra Clarinha. Ela tava sorrindo.

— Dona Cida, pode começar segunda-feira?

— Pode.

— Seu salário?

— A gente acerta.

Dali a duas semanas, Dona Cida já era parte da família.

*Continua em: livreto-234.md — Volta ao trabalho de Clarinha - emoção*