O dia estava ensolarado. Beto sugeriu o parque.
— Vamos.
— Com o bebê?
— Com o bebê. Ele precisa tomar sol. Vitamina D.
— Vitamina D?
— Li no livro.
Ela riu.
— Tá bom.
Prepararam a bolsa. Dessa vez foi mais rápido. Já tinham prática.
No parque, estenderam uma manta na grama. O bebê deitou de bruços, olhando as árvores.
— Olha — Beto disse. — Ele tá fascinado.
— Com o quê?
— Com o movimento das folhas.
O bebê olhava, os olhos arregalados. A boca aberta.
— Ele é tão curioso — Clarinha disse.
— Puxou você.
— Puxou você.
— Puxou os dois.
O vento soprou. O bebê sentiu o ar no rosto, fechou os olhos, abriu de novo.
— Será que ele gostou?
— Acho que sim.
Ela deitou na grama.
— Fazia tempo que eu não vinha num parque.
— Muito tempo.
— Antes do bebê, a gente vinha.
— Agora a gente vem também. Só que com ele.
— É diferente.
— É melhor?
Ela pensou.
— É mais pesado. Mas melhor.
— Mais pesado?
— Carregar ele, as coisas, a preocupação. Mas melhor.
Ele deitou do lado.
— É sobre isso.
— Sobre o quê?
— Ser pai e mãe. Mais pesado, mas melhor.
Ela segurou a mão dele.
— É.
O bebê virou a cabeça, olhando os pais deitados.
— Ele tá nos olhando.
— Ele tá.
— Acho que ele gosta da gente.
— Tomara.
— Tem certeza.
O bebê sorriu.
— Tá vendo? — Clarinha disse. — Ele disse que sim.
*Continua em: livreto-233.md — Os dois descobrirem a babá ideal*