Clarinha ficou na frente do espelho. A barriga ainda estava flácida. As estrias marcavam a pele. Os seios, que antes eram firmes, agora pendiam.
Ela virou de lado. Passou a mão na barriga.
— Não volta.
— O quê? — Beto perguntou, entrando no quarto.
— O corpo. — Ela segurou a barriga. — Não volta a ser como antes.
Ele parou.
— Você tá linda.
— Não tô.
— Tá.
— Beto, olha pra mim. Parece outra pessoa.
— Parece a mãe do meu filho.
Ela virou pro espelho de novo.
— Eu engordei quinze quilos. Tenho estrias. Meu peito caiu.
— Tudo isso por causa do nosso filho.
— Não consigo me reconhecer.
Ele se aproximou. Ficou atrás dela, os braços em volta.
— Olha pra nós.
Ela olhou.
— Esse corpo carregou o Antônio por nove meses. Esse corpo passou por um parto. Esse corpo amamenta. — Ele apoiou o queixo no ombro dela. — Esse corpo é o mais lindo do mundo.
— Você é obrigado a dizer isso.
— Não sou.
— É.
— Clarinha. — Ele virou ela pra si. — Se você quiser malhar, fazer exercício, se cuidar, eu apoio. Mas não é porque você tá feia. É porque eu quero que você se sinta bem.
Ela olhou nos olhos dele.
— E se eu nunca voltar ao que era?
— Aí a gente descobre uma nova beleza. — Ele sorriu. — Juntos.
*Continua em: livreto-231.md — Beto achar Clarinha linda mesmo após o parto*