Como apoiar a parceira na recuperação pós-parto?

Beto

Depois do diagnóstico, Beto mudou a rotina.

Ele acordava antes do bebê. Preparava o café, deixava água na mesa de cabeceira, os remédios separados.

— O que é isso? — Clarinha perguntou.

— Café.

— E os comprimidos?

— O da terapia. O vitamínico. O que a médica receitou.

Ela sentou na cama.

— Você não precisa fazer isso.

— Sei que não. Mas quero.

— Beto…

— Você cuida do bebê o dia inteiro. Eu cuido de você.

Ela abriu a boca pra discutir. Mas não teve forças.

— Tá bem.

— Tá bem.

Ele começou a chegar mais cedo do trabalho. Pegava o bebê, mandava ela descansar.

— Vai deitar.

— Mas eu tô bem.

— Vai deitar.

Ela deitava. As vezes dormia. As vezes chorava. As vezes ficava olhando o teto.

Ele não perguntava o que ela estava sentindo. Só ficava por perto.

— Quer ver TV? — ele oferecia.

— Não.

— Quer conversar?

— Não.

— Quer que eu fique quieto?

— Quero.

Ele ficava. Lendo, trabalhando no celular, mas perto.

Uma noite, ela deitou no ombro dele.

— Obrigada.

— De quê?

— De não ter desistido de mim.

Ele beijou a cabeça dela.

— Desistir de você é desistir de mim.

— Eu não tô fácil.

— Não tá. Mas eu também não sou fácil.

Ela riu fraco.

— A gente se merece.

— Se merece.

*Continua em: livreto-230.md — Volta do corpo - Clarinha frustrada*