Como identificar e lidar com o baby blues?

Clarinha

Clarinha acordou chorando. Não sabia por quê. O bebê estava bem. Beto estava do lado. A casa estava em ordem.

Mas ela chorava.

— O que foi? — Beto perguntou.

— Não sei.

— Alguma coisa aconteceu?

— Não. — Ela enxugou os olhos. — Eu só choro.

— Chora sem motivo?

— Choro.

Ele sentou na cama.

— Tem dias que é assim?

— Tem. Desde que ele nasceu.

— E você não me falou?

— Falei. Você perguntou como eu tava, eu disse que tava bem.

— E não tava?

— Não.

Ele segurou a mão dela.

— Por que não contou?

— Porque eu não sei explicar. — Ela soluçou. — Eu tenho tudo que sempre quis. Um marido incrível, um filho saudável, uma casa. Mas tem dias que eu sinto um vazio.

— Vazio?

— Como se eu tivesse perdido alguma coisa. A Clarinha que existia antes. A liberdade. O sono. O corpo.

— O corpo?

— O corpo que era meu. Agora é do bebê.

Beto ficou em silêncio.

— Isso é baby blues? — ele perguntou.

— Não sei.

— A gente precisa saber.

Ele ligou pra obstetra. Marcou consulta.

— Vou com você.

— Não precisa.

— Precisa.

No consultório, a médica explicou. Baby blues é normal nos primeiros dias. Mas quando dura mais de duas semanas, pode ser depressão pós-parto.

— Você tem sintomas — a médica disse. — Vamos tratar.

— Tratar?

— Terapia. Se necessário, medicação. Mas o primeiro passo é você saber que não é culpa sua.

Clarinha apertou a mão de Beto.

— Obrigada — ela sussurrou.

— Sempre.

*Continua em: livreto-229.md — Beto apoiar Clarinha na recuperação*