A primeira vez que tentaram sair de casa com o bebê foi uma operação de guerra.
— Fralda? — Beto perguntou.
— Seis.
— Lenço umedecido?
— Pacote inteiro.
— Muda de roupa?
— Duas.
— Manta?
— Uma.
— Mamadeira?
— Amamentação.
— Chupeta?
— Chupeta.
— Cadeirinha no carro?
— Já instalada.
— Documentos?
— Todos.
Ela respirou fundo.
— Acho que é isso.
— O carrinho?
— No porta-malas.
— O bebê?
— No colo.
— Então vamos.
Eles foram. Cinco minutos depois, o bebê começou a chorar.
— Fome — Clarinha disse.
— Mas a gente saiu há cinco minutos.
— Ele não sabe.
Ela amamentou no carro. Vinte minutos depois, seguiram.
Chegaram no shopping. O bebê dormia. Conseguiram andar meia hora.
— Tá dando certo — Beto disse.
Nessa hora, o bebê acordou. Chorou. Fralda suja.
Beto trocou no banheiro do shopping. Carrinho adaptado, bolsa gigante, bebê esperneando.
— Pronto.
— Limpinho.
Mais vinte minutos. O bebê começou a chorar de novo.
— Sono — Clarinha disse.
— Mas ele dormiu no carro.
— Sono de carrinho é diferente.
Pegaram o bebê no colo. Balançaram. Ele dormiu.
— Coloca no carrinho.
Ela colocou. Ele acordou.
— Coloca de novo.
Ela colocou. Ele chorou.
— Vou embalar.
Beto embalou o carrinho por dez minutos. O bebê dormiu.
— Acho que a gente pode almoçar.
— Almoçar?
— Comer.
— Com o bebê dormindo?
— Sim.
— Parece arriscado.
— É.
Mas foram. Comeram com uma mão, o carrinho do lado, o coração acelerado a cada barulhinho.
— A gente conseguiu — ela disse.
— A gente conseguiu.
— E vamos conseguir de novo.
— Amanhã?
— Daqui a dois dias.
Ele riu.
— Negócio fechado.
Primeira saída: concluída com sucesso parcial. E muito aprendizado.
*Continua em: livreto-227.md — Bebê que não dorme - noites em claro*