Beto estava mais nervoso que o bebê. Ele segurava o filho no colo, a mão suando.
— Pode entregar ele pra mim? — a enfermeira perguntou.
— Eu seguro.
— É melhor eu segurar. A aplicação é rápida.
— Eu seguro.
Clarinha tocou o braço dele.
— Beto, deixa ela.
Ele passou o bebê com cuidado. A enfermeira posicionou, limpou a perninha.
O bebê olhava, sem entender.
— Uma, duas…
A agulha entrou. O bebê abriu a boca. O choro veio um segundo depois. Forte. Alto.
Clarinha sentiu o coração apertar.
— Pronto, acabou — a enfermeira disse, colocando o curativo.
Beto pegou o bebê de volta. Apertou contra o peito.
— Calma, filho. Já passou.
O bebê chorava. Beto sentia cada soluço.
— Ele vai ficar bem — Clarinha disse.
— Eu sei. Mas dói ver.
— Dói.
— Mais do que em mim.
Ela passou a mão nas costas dele.
— Amor de pai.
No carro, o bebê tinha parado de chorar. Dormia no colo de Clarinha.
— Tá dormindo — ela disse.
— Dormiu.
— Esqueceu.
— Tomara.
— Bebê esquece rápido.
Beto olhou o filho.
— Eu não esqueço.
— Também não.
— Mas a gente faz de novo.
— Porque precisa.
— Porque protege.
— Isso.
Ele ligou o carro. A primeira vacina tinha doído mais neles do que no bebê.
*Continua em: livreto-226.md — Os dois aprenderem a sair com o bebê*