Escolher o pediatra parecia simples. Até Clarinha começar a pesquisar.
— Esse atende pelo plano? — ela perguntava.
— Atende.
— Mas as avaliações são ruins.
— Esse outro tem avaliações boas.
— Mas não atende emergência.
— Esse terceiro atende plantão.
— Mas fica longe de casa.
Beto parou de olhar o celular.
— Clarinha.
— O quê?
— A gente precisa escolher um.
— E se escolher errado?
— A gente troca.
— Troca de pediatra?
— Troca. Não é casamento.
Ela riu.
— Parece.
Eles marcaram consulta com dois. Um homem, uma mulher.
O primeiro era seco. Direto. Olhou o bebê em cinco minutos, receitou tudo sem explicar.
— Obrigado — Beto disse na saída.
No carro, ele olhou pra Clarinha.
— Esse não.
— Também achei.
O segundo foi diferente. A médica sentou, conversou, explicou cada etapa.
— O bebê tá saudável. Mas vamos acompanhar o ganho de peso.
— E as vacinas? — Beto perguntou.
— Tem calendário. Vou explicar.
Ela mostrou o cronograma. Tirou dúvidas. Deu o telefone do consultório.
— Se precisar, pode ligar. Atendo emergência.
— Obrigado.
No carro, Clarinha sorriu.
— É ela.
— Ela?
— Passa confiança.
— E não é seca.
— E não é seca.
— Então é ela.
Ligaram no dia seguinte pra confirmar. Pediatra escolhida. Mais uma decisão de pais.
*Continua em: livreto-225.md — Primeira vacina - sofrimento dos pais*