A fila do cartório estava enorme. Beto segurava o bebê no colo. Clarinha preenchia os papéis.
— Nome completo?
— Antônio. — Ela escreveu. — Antônio Silva Mendes.
— Sobrenome meu e seu?
— Isso.
Beto olhou o papel.
— Antônio Silva Mendes. Ficou bonito.
— Ficou.
— Nome forte.
— De avô.
Ela terminou de preencher. Entregou pro atendente.
O homem conferiu os documentos. Digitou. Carimbou.
— Certidão de nascimento. Aqui está.
Beto segurou o papel. A certidão. O primeiro documento oficial do filho.
— Antônio Silva Mendes. — Ele leu em voz alta. — Brasileiro, natural de…
— Daqui — Clarinha completou.
— Daqui.
Na saída, Beto guardou a certidão no envelope com cuidado.
— Agora ele existe oficialmente.
— Existia antes.
— Existia. Mas agora tem documento.
Ela riu.
— Você é burocrático.
— Sou pai. Burocrático e pai.
Ele olhou a certidão de novo.
— Antônio. Seu avô ia ficar orgulhoso.
— Ia.
— E você?
— Tô orgulhosa. — Ela segurou o braço dele. — Do nome. Do filho. De nós.
Ele beijou a testa dela.
— Nós três.
— Nós três.
Guardou a certidão no bolso. Agora era oficial. Eles eram uma família registrada.
*Continua em: livreto-224.md — Escolher o pediatra*