O bebê estava no colo de Beto. Seis semanas de vida. Até então, só caretas, bocas tortas, expressões de gás.
Mas naquela manhã, Beto estava fazendo caretas.
— Olha, filho. Papai é um palhaço.
Ele abriu a boca, arregalou os olhos, fez som de pato.
O bebê olhou. E sorriu.
Não foi gás. Foi um sorriso de verdade. A boca inteira, os olhos apertando, uma expressão de pura alegria.
Beto congelou.
— Clarinha.
— O quê?
— Clarinha, vem aqui.
Ela apareceu na porta.
— Que foi?
— Ele sorriu.
Ela correu pra perto.
— Sério?
— Sorriu pra mim. Olha.
Beto fez a careta de novo. O bebê riu. Um som baixinho, gutural, lindo.
Clarinha levou a mão à boca.
— Meu Deus, ele sorriu.
— Ele sorriu.
Ela sentou, os olhos cheios d'água.
— É o sorriso mais lindo do mundo.
— É.
— Mais lindo que qualquer coisa.
— Mais.
Beto continuou fazendo caretas. O bebê ria. Cada risada era um presente.
— Ele me reconhece — Beto disse.
— Ele te reconhece.
— Eu sou o pai. E ele sabe.
Clarinha abraçou os dois.
— Ele sabe.
O sorriso durou segundos. Mas ficou gravado pra sempre.
*Continua em: livreto-223.md — Registro do bebê no cartório*