Beto tinha lido oito livros. Assistido vinte vídeos. Feito anotações. Achava que estava preparado.
Até o bebê ter cólica pela primeira vez.
— Beto, ele não para de chorar.
— É cólica. O livro diz que passa com massagem.
Ele tentou. O bebê chorou mais.
— Tenta a posição do aviãozinho.
Ele tentou. O bebê chorou mais.
— Tenta o barulho branco.
Ele ligou o secador. O bebê chorou mais.
— Tenta…
— Clarinha. — Ele colocou o bebê no colo. — Eu não sei.
— O quê?
— Eu não sei o que fazer. Li tudo, mas não sei.
Ela sentou do lado.
— A gente não sabe.
— A gente deveria saber.
— Por quê? — Ela pegou a mão dele. — A gente nunca fez isso antes.
O bebê continuava chorando. Beto balançava, sem jeito.
— Eu achava que ia ser natural.
— Não é natural. É aprendizado.
Ele olhou o bebê, vermelho de chorar.
— E se eu não aprender?
— Aprende. Uma hora de cada vez.
— E enquanto isso?
— Enquanto isso a gente segura ele. Mesmo chorando.
Beto apertou o bebê contra o peito.
— Caiu minha ficha.
— Que ficha?
— Que não tem manual. Que é tentativa e erro. — Ele olhou pra ela. — Que a gente vai errar.
— Vai. — Ela encostou nele. — Mas vai acertar também.
O bebê soluçou. Parou de chorar. Dormiu.
— Viu? — ela disse.
— Viu o quê?
— Acertou.
— Acertei?
— Acalmou ele.
Beto olhou o filho dormindo.
— Foi sorte.
— Foi amor.
*Continua em: livreto-222.md — Primeiro sorriso do bebê*