A banheira estava montada no quarto. A água na temperatura certa. Toalha, fralda, roupa, tudo separado.
Beto e Clarinha se olharam.
— Você vai segurar — ela disse.
— Ok.
— As costas e a cabeça.
— Sei.
— A água não pode entrar no ouvido.
— Sei.
— A temperatura…
— Trinta e sete graus. Eu medi.
Ela sorriu.
— Tá preparado.
— Tô.
Ele pegou o bebê. Tirou a roupa com cuidado. O bebê começou a chorar.
— Calma, filho. É só um banho.
Ele desceu o bebê na água devagar. O choro aumentou.
— Tá muito frio? — ela perguntou.
— Tá na temperatura certa.
— Testa com o cotovelo.
Ele molhou o cotovelo.
— Tá boa.
O bebê continuava chorando. Beto passou a mão molhada no peito dele, na barriga.
— Shhh. Shhh. Papai tá aqui.
Aos poucos, o choro foi diminuindo. O bebê relaxou na água.
— Ele gostou — Clarinha disse.
— Acho que sim.
Ele lavou com a esponja macia. Cada dobrinha. Cada dedinho. Com cuidado.
— Pronto, filho. Limpinho.
Tirou o bebê da água, enxugou com a toalha. O bebê chorou de novo com o ar frio.
— Calma, calma.
Vestiu, colocou no colo. O bebê parou de chorar.
— Primeiro banho: sucesso.
— Vitória — Clarinha disse.
Ela beijou a bochecha dele.
— Você é um pai incrível.
— Tô aprendendo.
— Tá aprendendo bem.
*Continua em: livreto-219.md — Beto voltar ao trabalho - saudade*