Como lidar com a sogra intrometida mas querida?

Clarinha

Dona Marta chegou sem avisar. Como sempre.

— Trouxe galinhada. Arroz, frango, legumes. Você precisa se alimentar.

— Obrigada, Dona Marta.

— Cadê ele?

— No berço.

Ela foi direto pro quarto. Clarinha seguiu atrás.

Dona Marta olhou o neto, os olhos brilhando.

— É a cara do Beto quando nasceu. Exatamente igual.

— Todo mundo fala.

— Porque é verdade.

Ela passou a mão na cabeça do bebê com uma delicadeza que surpreendia.

— Tá bem cuidado. Graças a Deus.

Voltaram pra sala. Dona Marta abriu a marmita, serviu um prato.

— Come.

Clarinha comeu. Estava boa.

— Tá bom.

— Claro que tá. Minha receita.

— Obrigada, Dona Marta.

— Não precisa agradecer. Avó ajuda.

Ela sentou.

— Mas vou te dar um conselho.

— Fala.

— Não aceita palpite de todo mundo. Sua casa, seu filho, suas regras. Eu posso dar opinião, mas você decide.

Clarinha arregalou os olhos.

— Sério?

— Sério. — Dona Marta cruzou os braços. — Eu fui sogra intrometida com a Luísa. Aprendi do pior jeito. Quase estraguei a relação com meu filho.

— E agora?

— Agora eu trago comida e calo a boca. — Ela sorriu. — Na dúvida, calo a boca e trago comida.

Clarinha riu.

— Obrigada, Dona Marta.

— De nada.

Ela olhou pro bebê de novo.

— Ele é lindo. Mas também, com essa mãe, não podia ser diferente.

Clarinha sentiu o peito quente. Dona Marta era intrometida, mas era amor.

*Continua em: livreto-218.md — Primeiro banho do bebê - medo dos dois*