Como é a visita dos avós conhecendo o neto?

Clarinha

Seu Antônio chegou na porta com as mãos suando. O avô de primeira viagem.

— Posso entrar?

— Claro, pai.

Ele entrou devagar, como se a casa fosse um altar. Quando viu o bebê no colo da Clarinha, ele parou.

— É ele?

— É ele.

Ele se aproximou. Olhou o neto dormindo.

— Ele é pequeno.

— É.

— Parece uma boneca.

Ela riu.

— É gente, pai.

— Parece boneca.

Ele estendeu os braços.

— Posso?

Ela passou o bebê com cuidado. Seu Antônio segurou o neto como quem segura um cristal. Os braços duros, o corpo tenso.

— Relaxa, pai. Ele não vai quebrar.

Ele respirou. Relaxou os ombros.

— É diferente — ele disse, a voz grossa. — Ser avô.

— Diferente como?

— Quando você nasceu, eu tinha medo. Agora é só alegria.

Ela abraçou ele, o bebê entre os dois.

Luísa chegou depois, com uma marmita.

— Trouxe sopa. Comida caseira.

— Luísa, você não precisava.

— Precisa sim. Mãe nova precisa comer.

Ela espiou o bebê.

— Ele é lindo. Igualzinho ao Beto.

— Igual?

— O nariz. O queixo. — Ela olhou melhor. — Ou não. É você.

— É nós.

Luísa sentou.

— Os primeiros dias são os mais difíceis. Se precisar de alguma coisa, é só chamar.

— Obrigada.

— Sério. Eu lembro como era. Achava que não ia dar conta.

— Deu?

— Dei. — Ela sorriu. — E você também vai.

Seu Antônio ainda segurava o neto, andando devagar pela sala, conversando baixo com ele.

— Vô tá aqui, pequeno. Vô vai mimar muito você.

*Continua em: livreto-217.md — Dona Marta trazendo comida*