Clarinha estava no limite. Três noites sem dormir. O bebê mamava a cada duas horas. Ela não descansava entre as mamadas.
— Beto.
Ele acordou na hora.
— Fala.
— Não vou conseguir.
— Conseguir o quê?
— Continuar. — A voz dela falhou. — Tô exausta. O peito dói. Eu só quero dormir.
Ele sentou na cama.
— Escuta. Você amamenta agora. Depois que ele dormir, eu fico com ele.
— E quando ele acordar com fome?
— Eu trago ele pra você. Você mama ele deitada. Nem levanta.
— Mas eu tenho que acordar.
— Acorda. Mas fica deitada. Depois eu troco, eu arroto, eu coloco ele no berço. Você só mama e dorme de novo.
Ela pensou.
— Só isso?
— Só isso. — Ele segurou o rosto dela. — Você não precisa dar conta de tudo. Eu tô aqui.
Ela amamentou. O bebê dormiu. Beto pegou ele, trocou, colocou no colo.
— Vai, amor. Dorme.
— Vou ficar com peso na consciência.
— Não fica. Cuida de você pra poder cuidar dele.
Ela deitou.
— Você é o melhor pai do mundo.
E ele ficou acordado. Caminhando pelo quarto escuro com o bebê no colo. Até a próxima mamada.
— Papai cuida de você. E deixa a mamãe descansar.
O bebê bocejou. E Beto continuou.
*Continua em: livreto-216.md — Visita dos avós - Seu Antônio e Luísa conhecendo o neto*