Amamentar era mais difícil do que Clarinha imaginava.
O bebê não pegava o peito direito. Escorregava. Chorava. Ela tentava de novo. Ele chorava mais.
O mamilo rachou. Sangrou. Cada mamada era uma agulhada.
— Tá doendo — ela disse, os olhos cheios d'água.
— Dói?
— Dói.
Beto sentou do lado.
— O que a enfermeira falou?
— Falou pra colocar a boca inteira. Mas não encaixa.
— Vamos tentar de novo.
Ela tentou. O bebê chorou. Ela chorou junto.
— Não vai dar certo.
— Vai. A gente só precisa de ajuda.
Beto ligou pra maternidade. Pediu orientação. A enfermeira recomendou uma consultora de amamentação.
A consultora veio no dia seguinte. Uma senhora chamada Fátima, quarenta anos de experiência.
— Relaxa. Ele sente seu nervoso.
Ela posicionou o bebê. Ajustou o braço de Clarinha. Virou o corpinho.
— Agora.
O bebê abocanhou. Mamou.
— Dói?
— Menos.
— Menos já é vitória.
Fátima ensinou exercícios, pomadas, posições diferentes.
— O corpo precisa se acostumar. Os primeiros dias são os piores.
Depois que ela foi embora, Clarinha olhou pro bebê, satisfeito e mamado.
— A gente conseguiu.
— A gente conseguiu.
— Essa parte é comigo. Mas você tá do lado.
— Do lado. Sempre.
*Continua em: livreto-215.md — Clarinha exausta - Beto assumir o turno da noite*