Como o pai aprende a trocar fralda?

Beto

Beto já tinha lido sobre troca de fraldas. Tinha visto vídeos no YouTube. Se sentia preparado.

O primeiro cocô do bebê em casa foi uma revelação.

— Beto, ele fez cocô.

— Ok. Eu troco.

Ele pegou o bebê, levou pro trocador. Abriu a fralda. E congelou.

— O que é isso?

— Mecônio.

— Parece piche.

— É.

— É preto.

— É.

— E grudento.

Ela riu da cama.

— Tá com nojo?

— Não tô. — Ele pegou o lenço umedecido. — Só processando.

Ele limpou. O bebê esperneou. Ele segurou as perninhas com uma mão, limpou com a outra.

— Tá fazendo certo? — ele perguntou.

— Da frente pra trás. Pra não infeccionar.

— Isso eu sabia.

Ele terminou. Colocou a fralda nova. Fechou.

— Pronto.

— Passa a mão na elástico da coxa.

Ele passou.

— Tá bem ajustado.

— Deixa eu ver.

Ela olhou do berço.

— Tá bom.

Ele se sentiu vitorioso.

— Primeira troca em casa. Sucesso.

— Agora lava a mão.

— Já vou.

Ele olhou pro bebê.

— Filho, seu pai é um profissional de fraldas.

O bebê arrotou.

— Acho que ele discorda.

Ele riu. Lavou a mão. Aprendizado número um: fralda não é bicho de sete cabeças. Mas mecônio é preto e gruda.

*Continua em: livreto-214.md — Amamentação - dificuldades e apoio*