A primeira noite em casa foi um caos organizado.
O bebê chorou às dez. Clarinha amamentou. Ele dormiu. Onze e meia, chorou de novo. Amamentou de novo. Uma e meia, a mesma coisa.
— Ele não dorme — Clarinha disse, exausta.
— Ele dorme. Só acorda de hora em hora.
— É a mesma coisa.
Beto levantou.
— Deixa comigo.
Ele pegou o bebê no colo, colocou no peito. Caminhou pelo quarto, fazendo shhh, shhh, shhh.
— O livro diz que o barulho branco acalma.
— Que livro?
— O livro.
O bebê parou de chorar. Os olhos foram fechando.
— Tá vendo? — Beto sussurrou.
— Você é um sábio.
— Sou um pai que lê.
Ele colocou o bebê no berço. Silêncio.
Clarinha deitou, os olhos pesados.
— Três horas — ela disse.
— Três horas?
— Até a próxima mamada.
— A gente vira.
Ela fechou os olhos.
— Beto?
— Fala.
— Obrigada por estar aqui.
— Cadê?
— Aqui. Agora. Nessa loucura.
Ele deitou do lado dela.
— Cadê? Aqui. Agora. Nessa loucura.
Ela riu fraca.
— Eu te amo.
— Eu também te amo.
— E quando ele acordar?
— Eu levanto.
— Jura?
— Juro.
Ela dormiu. Vinte minutos depois, o bebê chorou.
Beto levantou. Pegou o bebê. Caminhou pelo quarto.
— Calma, pequeno. Papai tá aqui.
Ele olhou pro berço, pra Clarinha dormindo, pro bebê no colo. Exausto. Mas completo.
*Continua em: livreto-213.md — Beto aprender a trocar fralda*